DIOGO MAINARDI: “PAPAI, O SAPO BARBUDO QUER ME PEGAR”

 

animal-filhote-coelho.jpg

           

               Diogo Mainardi todos as noites sonha que o sapo barbudo entra no seu quarto, o coloca em um saco de linhagem e o despacha para Cuba ou Venezuela. Diogo acorda assustado de tal pesadelo horrível, sua e balbucia atônito: “que passa?” quer dizer, ele, italiano que é, fala alguma coisa na “língua de Berlusconi”, mas eu, brasileiro e ignorante que sou, confundo com o espanhol.

            Bueno giorno, após levantar e desfilar pela casa seu pijama Gucci e suas meias Armani, ele pega o jornal e percebe que o diário foi atirado violentamente pela janela.  Foi um atentado de um entregador petista com a conivência do porteiro petista. Já de posse do periódico, só pelo cheiro do jornal, ele sabe quantos petistas estão escrevendo nessa edição. Sim, amestrado nas melhores academias políticas, o seu faro se desenvolveu a esse ponto. Quase chora ao saber que nesse dia escrevem Veríssimo e Naom Chomsky. Queimem!

            O seu tormento matutino parece não ter fim, ao abrir a janela ele ouve, vindo de botequim próximo, um baticundum de samba, uma esfregação carnavalesca levistroiana, um lá-lá-lá, um ô-ô-ô dos parintins, um uga-uga dos nativos malemolentes e preguiçosos incentivados pela tacanhice do governo federal. Diogo, enojado, imediatamente fecha a janela, liga o ar condicionado e italiano que é, sente-se no clima dos montes Apeninos. Por um momento esquece os tristes trópicos e sua bugrada incivilizada, e imagina-se na Itália. Ah, a terra de Luiz Felipe Scolari...  sua gastronomia esplendorosa, seus vinhos saborosos,  sua máfia, sua camorra e seus Mussolines.

            Depois do almoço mais um tormento. Para gravar o programa Manhattan Conecction, ele entra na via pública e se aborrece. “Via pública! Só um governo de txucarramães, cheio de superstições primevas ainda não privatizou isso!” Já no estúdio do programa da GNT, Diogo, muito sabichão, faz um revelação: 

            - Por São Paulo Francis! Mais quatro anos de Lula no poder e o Brasil ficará arruinado. Teremos até furacões e terremotos” – esclarece Mainardi.

            Inconformado com o destino do país da malandragem e do teleco teco, Mainardi prega a derrubada de Lula. Pela cachaça não deu, parece que o sapo barbudo parou de beber. Mas quem sabe pelos seus artigos incendiários tal qual um Marat lançando golpes no teclado do laptop, dentro de sua banheira de hidromassagem?! Lá o italiano colunista revolta a água com pulinhos de indignação e derruba, não o Lula, mas um sabonete escorregadio. Ainda no banho, satisfeito, finaliza seus artigos. Sente-se tranqüilo com mais um dia de conspiração. Mas no próximo dia, Diogo levantará novamente atormentado pelos pesadelos e acometido da síndrome do Cérebro, aquele ratinho de desenho animado que todo o dia quer dominar o mundo. Cai o pano. Mas cai devagar para mostrar a logomarca do patrocinador, uma grande conglomerado de telefonia celular que comprou as rudes telefonias nacionais.