território livre  |  2020

 

ARTE  & FOTO

LIA MENNA BARRETO

 

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MUNDO(S)

 

O trabalho da artista plástica Lia Menna Barreto acessa um lugar de memória, de afeto e de imaginação.

 

Quando ela desmonta, desorganiza e destrói elementos que fazem parte do nosso imaginário infantil, os reorganiza e os reconstrói de outra maneira. Lia cria outros “corpos” elaborando transformações que possibilitam visões de mundo a partir de representações que buscam comunicar uma outra ordem.

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Alguns argumentam que a imaginação é oposta à percepção. Outros sustentam que percepção é uma forma de imaginação, e que o sonho é o testemunho de outro nível de realidade.

Essas pluralidades e possibilidades de “visões” é o que me instiga no trabalho artístico de Lia. A vida, assim como a arte, requer intencionalidade, observação e improvisação. 

 

 

Nesse trabalho ela constrói um corpo em metamorfose, onde tais transformações me fazem pensar nas cosmologias (e artes) indígenas como meios de administrar as relações entre humanos e não-humanos.

 

O entendimento da Natureza e da existência humana, as possibilidades e o processo como um ‘tornar-se’, aproximam da visão ameríndia sobre a existência mais do que a idéia clássica da Natureza, que a percebe como uma realidade objetiva e exterior.

 

Este poderia ser um dos modos para entendermos o significado mais profundo das razões porque os ameríndios entendem natureza enquanto physis, um todo interconectado de seres não-humanos. 

Lia, quando metamorfoseia, hibridiza os corpos e sugere transformar nosso mundo em outros mundos.

 

Nós somos a natureza. A vida não precisa de diversidade, ela é diversidade.

 

Evoco Matisse que dizia, “os meios pelos quais a arte se expressa e o sentimento pela vida que os estimula, são inseparáveis”.

 

Precisamos uma ecologia da mente, uma prática política selvagem, onde possamos caminhar juntos, e que ela seja capaz de sentir, ver e escutar a língua de não-humanos.

 

Todas as mudanças começam com a filosofia, com a convicção e com o modo de ver o mundo.

 

Os povos ameríndios ainda estão aqui para nos ensinar.

A vida é gene, ideia, conceito e sonho.

E a arte de Lia Menna Barreto me fez sentir e ter vontade de ser mais índio e mais selvagem.

 

 

 

 

 

Bettine Silveira

Figurinista e Pesquisadora de saberes ancestrais e tradicionais

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Rio de Janeiro

 

 

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agosto 2020