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CIDADES

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” ... João Moura trabalha mais especificamente com a xilogravura. Sua obra traz elementos de um realismo fantástico, comum a alguns artistas latino-americanos. Uma cartografia biográfica registra diferentes lugares onde o artista viveu.

Em um procedimento tradicional, terminada a tiragem, a matriz deve ser inutilizada ou guardada para que não haja reproduções além do número determinado pela tiragem. No trabalho de João Moura, as matrizes xilográficas são reaproveitadas.

 

Para reutilizar a matriz João raspa a imagem original, mas essa raspagem não apaga completamente os registros da gravação anterior; deixa um resto ou rastro da imagem que flutua fixada entre uma e outra impressão. É como um palimpsesto, uma espécie de memória seletiva e interna ao processo que deixa ver extratos de tempos, lugares e personagens que povoam a obra do artista” (1)

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Passeando os cachorros 1.jpg

 

Atualmente sua temática, mais que um realismo fantástico, busca despertar uma reflexão a partir das relações sociais e dos eventos políticos que abalam nosso país. Suas gravuras são cheias da convulsão das ruas e das mazelas humanas, as imagens que nascem de suas matrizes são crônicas urbanas que indicam um caminho sem fechar o assunto, deixando espaço para o expectador colocar sua subjetividade.

 

As placas de PVC são o material eleito para a gravação de seus enredos em detrimento das tradicionais pranchas maciças de madeira.

(2)

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Alegoria ninguem solta a mão de ninguem em praça fascista - 38x51cm - 2019.jpg
Atravesando na faixa - 38x51cm - 2019.jpg
Reunião ministerial - 51x38cm - 2020.jpg

João Moura

Artista Visual

 

1.Texto Malu Fatorelli para catálogo exposição Grupo Cadeira Virada na Galeria Cândido Portinari (2010)

2. Texto Marcelo Oliveira (2016)

 

 

Rio de Janeiro

março 2021