Bilhões de pessoas, presas em casa; tempo para refletir, assim discernir o que normalmente e desnecessariamente nos agita em todas as direções. Esse espaço serve e servirá para isso. Aprender a lidar com os limites de outro modo, subvertê-los e incorporá-los. Façamos desse espaço uma experiência máxima desse limite. Sigamos esse longo, doloroso e inesperado confinamento. Juntos!

  

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MEME DA MÃO LAVADA 

 

 

 

Só fallam em lavar as mãos, lavar
as mãos, lavar as mãos! As minhas ja
estão ja tão lixadas que não dá
nem para mais sentir o pollegar!

Agora só mãos lavo, si, em logar
do pé, priorizada a mão está!
Em casa, ando descalço para la
e para ca sem, livre, ter um ar!

As solas, encardidas, vão ficando
escuras, grossas, asperas! Nem posso
chamar aquelle cego que, no nosso
eschema, as lambe e lava, ao meu commando!

Não saio, nem o cego! Nem sei quando
de novo no seu rosto os pés eu roço!
Emquanto a mão descasca, a pelle engrosso
pisando nesse virus tão nefando!

 

 

 

 

Glauco Mattoso

Poeta e escritor

São Paulo

 

 

Abril 2020