território livre  |  2021

Esse texto da pesquisadora, e amiga, Thamy Pogrebinschi, saiu em agosto de 2020 na revista Open Democracy, conhecida plataforma de mídia global. O ensaio reflete sobre algumas possibilidades de soluções para problemas públicos através de associações, coletivo de ideias e colaboração criativa; trazendo informações, divulgando iniciativas que estão funcionando, e revelando dados precisos. Publicamos aqui parte do texto, vocês podem ter acesso a ele, na íntegra, no link abaixo. Vale a leitura.

A INTELIGÊNCIA SOCIAL PODE SALVAR A AMÉRICA LATINA

DE SEUS GOVERNOS EM TEMPOS DE COVID-19?

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A pandemia da Covid-19 desencadeou uma série de problemas imprevistos. A maioria dos governos em todo o mundo não estava preparada, vendo-se instados a elaborar respostas em um período de tempo muito curto e sob condições altamente incertas. Em países com baixa capacidade estatal e alta desigualdade social, os desafios têm sido ainda maiores. As respostas governamentais se viram limitadas pela falta de recursos, infraestrutura e conhecimento, além do fardo de ter que lidar imediatamente com lacunas sociais de longa data que rapidamente mostraram que nem todos são iguais diante do vírus.

 

Na América Latina, onde a capacidade estatal é caracteristicamente baixa e a desigualdade alta, o coronavírus encontrou condições ideais para a proliferação. Em alguns países, a emergência sanitária também foi agravada pela crise econômica, pela agitação social e pela instabilidade política. Cinco dos dez paíseds mais atingidos pela pandemia até agora estão localizados na América Latina, e cerca de um terço de todas as mortes globais por causa do vírus ocorreram na região.

Nenhuma resposta poderia ter sido suficientemente rápida para resolver problemas de séculos, como exclusão política e desigualdade social, ou suficientemente eficaz para contornar a deficiência dos mecanismos institucionais de accountability. Mas se a liderança política real não tivesse estado ausente e os governos tivessem tomado as medidas adequadas – o que definitivamente não foi o caso em vários países – muito poderia ter sido feito para evitar que a pandemia se tornasse um pandemônio.

Limitações do Estado e inteligência social

 

Em tais cenários, parece relevante reconhecer os limites do Estado para lidar com desafios complexos e imprevisíveis e, portanto, a necessidade de recorrer à sociedade civil. A capacidade estatal não pode ser construída da noite para o dia, mas a inteligência social é um recurso ilimitado e disponível permanentemente. Nos últimos anos, a tecnologia digital multiplicou o que há muito se chama inteligência social (Dewey) e agora é mais frequentemente conhecida como inteligência coletiva (Lévy), a sabedoria das multidões (Surowiecki), ou razão democrática (Landemore).

 

A pandemia de Covid-19 apresenta uma oportunidade para testar o potencial da inteligência social como combustível para processos de colaboração criativa que podem ajudar os governos a se reinventarem

Em conjunto, estes conceitos apontam para a mais poderosa ferramenta disponível para os governos que enfrentam problemas difíceis e desafios sem precedentes: o provimento e compartilhamento de conhecimento, informações, habilidades, recursos e dados dos cidadãos com o fim de resolver problemas sociais e políticos.

 

A pandemia de Covid-19 apresenta uma oportunidade para testar o potencial da inteligência social como combustível para processos de colaboração criativa que podem ajudar os governos a se reinventarem e se prepararem para os desafios que permanecerão muito depois de controlado o vírus. Por colaboração criativa entendo uma série de formas de comunicação, ação e conexão entre os próprios cidadãos, entre os cidadãos e as organizações da sociedade civil (OSC), e entre estes dois últimos e seus governos, tudo com o objetivo comum de abordar problemas que afetam a todos e aos quais o Estado, por várias razões, não pode (satisfatoriamente) responder sozinho.

 

Embora vários países latino-americanos tenham sido pegos pela crise da Covid-19 com governos incapazes ou não dispostos a contê-la ou a reduzir seus danos, a sociedade civil avançou um número substancial de inovações democráticas digitais nos últimos meses. Estas compreendem instituições, processos e mecanismos que contam com a participação digital de cidadãs e cidadãos como um meio para resolver problemas sociais e políticos – e, mais recentemente, também problemas de natureza humanitária.

 

Texto completo Open Democracy:

opendemocracy

 

Organização Thamy Pogrebinschi

Site.latinno.América Latina

 

Thamy Pogrebinschi

Pesquisadora sênior do Centro de Pesquisas em Ciências Sociais de Berlim (WZB) e

membro do corpo docente da Escola de Pós-Graduação em Ciências Sociais (BGSS) da

Universidade Humboldt em Berlim.

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Berlim

 

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agosto 2021